É um palavra bonita sim senhor, tal como Mãe.
Também tenho pai é óbvio, no meu tempo ainda não se faziam filhos unilateralmente, mas criavam-se e criam-se assim.
O meu Pai é uma pessoa fantástica. Nunca me ralhou, pôs de castigo, contrariou, disse algo para me magoar. Mas também é exactamente o oposto. Nunca me ralhou, pôs de castigo, contrariou, disse algo para me magoar.
Não vejo o meu pai desde os meus 4 anos de idade (já lá vão 31). Sei que até ali o foi e as recodações que tenho foram-me contadas pela minha mãe. Falamos por carta, às vezes por telefone. Sabe dos netos, mando-lhe fotografias, postais no Natal e às vezes nos anos. Não no dia do Pai, se não me engano no Brasil comemora-se em Agosto.
O afastamento deu-se por divórcio. Ele ficou no Brasil eu e a minha mãe viemos para Portugal.
Amor de pai? Não sei o que é. Desamor de Pai? Idem. Sei apenas o nome do ser que me deu 50% da sua herança genética e o meu sobrenome.
Não o culpo. Não os culpo. Fizeram o melhor que puderam com o que tinham e com o que sabiam na época.
O dia do pai para mim começou a fazer sentido quando os meus filhos nasceram. Mas comemoro e caho bem que se comemore. Não concordo com a versão de não ser preciso, que é consumisto e tal. E depois? Se for preciso um dia para comemorar então que seja. Se pelo menos uma vez no ano os pais e os filhos pensem no que é ser pai e filho, então que seja.
Sei que existem pais indignos dessa palavra. Esses, pessoas com 2 braços e 2 pernas, sofreram uma piada da vida quando tiveram filhos. Filhos que não os merecem. Filhos que se lhes virarem as costas nao podem ser culpabilizados, e que se não o fizerem demonstram que a genética não é tudo na formação do ser humano.
O meu é um bom pai para os meus irmãos. Sempre foi.
É vivo, mas pela idade avançada vai sofrendo de algumas doenças leves e outras mais graves.
Acredito que goste de mim. Gosto de pensar que do outro lado do oceano existe alguém com carinho por mim. Acalenta-me o coração.
Vou continuar a comemorar este dia. Quando mais não seja pelo homem com o qual escolhi compartilhar a minha existência e que é pai dos seres mais importantes da minha vida.