terça-feira, 15 de julho de 2014

Independente, Dependente ou Co-dependente

Isto é assunto que dá pano para mangas e eu tenho a minha opinião que vale o que vale.
Li primeiro sobre ele aqui e sou da mesma opinião, que as mulheres devem ter um trabalho, uma ocupação, algo que lhes dê alguma independência financeira. E reparem que digo alguma, porque primeiro, não considero que se seja verdadeiramente indendente do marido a nivel financeiro porque um casamento não é um ajuntamento de trapos, é um projecto de família com casa e a respectiva hipoteca, o frigorifico que se comprou, os filhos que se tem, as compras de supermercado que se faz, a vida que acontece a cada dia.
Mas e aquelas mulheres que não têm emprego, ou porque não querem, ou porque não conseguem? São umas dependentes, vivem à custa? Quem não consegue, e não é preciso explicar porquê, tem de ficar dependente do dinheiro do outro. Mas quem não quer? Porque quer ser mãe a tempo inteiro, porque aquilo que gasta para ir trabalhar não compensa o ordenado, porque tem razões pessoais para isso? Também vive dependente do dinheiro do outro.
Para mim quem é  verdadeiramente dependente financeiramente é quem é calão, quem não quer trabalhar porque é preguiçoso e fica à espera  do proveito do trabalho do outro.
Depois li este post, e aqui e também sou da opinião que hoje em dia não seria possivel a muitos casais manter o nível de vida que têm se ficassem sozinhos. Não, não seria. Não somos independentes, somos co-dependentes: do marido e ele de nós, dos pais que nos cuidam dos filhos quando não podemos, e até das creches onde eles andam para irmos trabalhar.
Não considero que se viva numa sociedade em que se possa ser verdadeiramente independente: dependemos do patrão para nos pagar o ordenado, do agricultor para comer, do supermercado para nos abastercermos, das lojas para nos vestirmos e calçarmos. Não, dependemos uns dos outros, já sermos auto-suficientes é outra coisa.
Mas sim, sou da firme opinião, que nem que seja para um par de cuecas se tenha uma ocupação nossa e só nossa. Mas quando não se tem esse dinheiro nosso, qual o problema? Nenhum, desde que não nos desvalorizemos, que não nos anulemos e não nos consideremos improdutivos. Principalmente que não nos inferiorizemos.
Eu gosto de trabalhar, e se tivesse a possibilidade, mantendo o nível de vida (ou aumentando) preferia trabalhar em part-time; porque sou assim, porque não gosto que me controlem se compro um par de cuecas ou dois. Porque tenho essa possibilidade, e porque lá em casa ele ganha mais do que eu, mas quando compro algo para mim é com o meu dinheiro. Se faço poupanças para aqueles sapatos, aquela blusa? Faço, mesmo quando para outras pessoas isso seja corriqueiro e de um valor menor. Mas eu tenho as minhas depesas fixas e o que vai para além tenho de poupar. E ele também.
Lá em casa é assim, temos as despesas comuns e depois o que resta é de cada um.

3 comentários:

Fashionista disse...

concordo, eu nem conseguia fazer de outra maneira! Gosto de ter o meu dinheiro

Magda E. disse...

quando eu trabalhava era assim tb. agr não trabalho, cuido dos meus filhos e foi opção nossa, a dois. E aqui ninguém é mais que ninguém por isso. Houve fases em que lamentei não ter o meu ordenado e uma certa dependência, mesmo porque por um tempo quem ganhava mais cá em casa até era eu, isso mudou, a G. nasceu e eu abdiquei do meu trabalho. Sempre que possível ganho uns trocos com a costura e não mexo nesses até que me apeteça comprar algo para mim, um luxo qualquer. Foi assim que me dei, de prenda de natal, uma máquina de lavar loiça... que no fundo foi para tds nós. E o que noto é que o que não ganho tb não gasto, qd trabalhava dava-me ao luxo de gastar em certas coisas que se calhar não me faziam falta nenhuma...

Bonitinha disse...

Eu não me importo de não ter o "meu" dinheiro, pois aqui o dinheiro é nosso, o Fernando nunca me deu nenhuma resposta torta, nem nunca precisei pedir para comprar meia ou calcinha. Ele mesmo diz quando eu me refiro ao salário dele, dizendo que é nosso. Eu sinceramente gosto de ser dona de casa, e no meu caso ia ser bem complicado trabalhar e ter de pagar alguém para ficar com o Fabian nas férias o dia todo e nas aulas no período do almoço, não acho que compense.
Beijinhos

 

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