sexta-feira, 2 de março de 2012

Ciúme

Palavra feia esta.
Sou ciumenta assumo. Gosto dos meus e tenho ciúmes em relação a eles. Não que falem com outros, que tenham amigos, que estejam com outras pessoas, esse não tenho, mas tenho outro, aquele a que se pode chamar ciúme bom, se é que ele existe.
Fazem-me confusão as pessoas que se rebaixam, vendem, por ciúme. Aquelas cenas de faca e alguidar, tão giras nas novelas e tão trágicas na vida real.
Não gosto que me façam ciúmes. Detesto. Abomino e tem sempre, mas sempre o efeito contrário.
Talvez por isso me sinta muito triste, cada vez que oiço algo do tipo “só mãe, só mãe, só mãe. Como não o/a libertas quanto precisares de ajuda, não a tens”. Dói quando vejo a minha mãe competir comigo pelo amor dos meus filhos.
Eles, e eu educo-os para isso, são capazes de gostar de pessoas diferentes, de maneiras diferentes.
Eu sou mãe. Ela é avó. Não nos sobrepomos. Nãos nos anulamos. Somos diferentes, ocupamos lugares diferentes. Damos um amor diferente. Uma educação diferente.
Não tive avós. Não sei o que é esse tipo de amor, esse tipo de relação. Faço o possível e engulo sapos e sapinhos para que os meus filhos a tenham. Acho que é essencial no crescimento deles, a noção de família, de família alargada, de amigos, conhecidos, etc.
Faço os possíveis para que o relacionamento seja pacífico. Mas quando entram em competição comigo, quando me querem mostrar por a+b, comprovar e provar que eles gostam mais dela que de mim, aí entra o meu ciúme em acção, ele e o meu mau feitio.
Não queria que fosse assim. Seria tão mais fácil que as pessoas entendessem, que tal como elas, nem sempre estão disponíveis para todos, também as crianças, por doença, mimo, ou disponibilidade emocional, por vezes se inclinam mais para uns que para outros.
Eu sou a MÃE deles. Posso ser amiga (que sou), educadora, professora, cuidadora, cozinheira, mulher-a-dias, miúda mais miúda que eles, mas primeiro que tudo sou MÃE e disso, desse papel não abro mão por ninguém, doa a quem doer.
Tenho esse ciúme. São meus, saíram de dentro de mim. E por mais que incentive outros relacionamentos eles são MEUS FILHOS. Disso não abro mão jamais.

4 comentários:

Maggie disse...

Eu desse ciume não sofro, sofro do outro, mas não faço cenas de faca e alguidar, já fiz em tempos ...
Agora ciumes dos meus filhos não, tenho bem a noção que sou a mãe delas e as avos tbém não estão interessadas em cuidar delas a esse nivel, aí não tenho competição!
Beijoca
Maggie

Marta disse...

Como te compreendo..mãe é mãe, não me venham cá com cenas!! vi agr este blog a partir doutro, nao o conhecia, li apenas este post e senti-me imediatamente compreendida! ;)

Mamã de Salto Alto disse...

Pois...acredito que não seja fácil.Parece que querem ocupar o teu espaço não é?Mas,eles já tiveram a época deles.Agora é a tua vez.Tu é que tens de aproveitar os teus filhos....

Tia São disse...

Como eu te entendo.... Já cheguei a ouvir comentários como "ela vai por-te de parte!"... Dói muito saber que se pudessem, se tivessem a minima hipótese para isso seriamos despojadas dos nossos filhos porque as nossas mães nos acham incompetentes, e consideram que a experiência e a idade que têm a mais que nós faz delas 100% melhores candidatas! É por isso que em relação à minha filha eu não me calo e viro leoa! Mordo quem se meter comigo, desfaço sem dó e piedade mesmo que seja a minha mãe... A minha filha é o meu projecto de vida, nem a minha mãe tem o direito de me fazer sentir uma má mãe! Simplesmente porque eu tenho a certeza que não o sou! Era bom que não tivessemos de estar sempre me guerra aberta... mas deixa lá! Há sinas piores! Beijo, Noquitas!

 

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