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terça-feira, 19 de abril de 2011

Não é do FMI que tenho medo II

Quando no Domingo fui com a piolha ao hospital encontrei lá uma menina dos seus 7/8 anitos, a Telma, preocupada com a irmã que tinha caido.
Sensibilizou-me a preocupação com a mana mais nova, porque ela tinha caido e tinha um galo mas estava bem disposta, e porque se tinha atrasado a lavar os dentes, como se isso fosse a razão da irmã ter caido. Mas, o que mais me sensibilizou, foi o facto de ela dizer que já tinha recebido os 100€ e que assim tinha dinheiro para os remédios da irmã, ao que eu lhe disse para estar descansada pois ia estar tudo bem com mana. Resposta desta pequena criança, assim os 100€ eram para pagar a luz e a água, porque ela até recebia mais mas como o país está em crise começou a receber menos.
Medo, muito medo, que uma criança desta idade, cujas preocupações deviam ser a escola, as bonecas, as brincadeiras, a que horam dão os desenhos animados favoritos na tv, seja com o valor da comida, da água, da luz. Que se preocupe com o facto de ser intolerante à lactose e da mãe ter de comprar coisas mais caras para ela, especialmente agora que tem uma irmã pequena que precisa de tantas coisas de bebé (como ela me disse). Que se preocupe com o seu abono pois sabe que ele é uma ajuda ao orçamento familiar.
Mas desde quando uma criança tem de se preocupar com isso? Que aos 7/8 anos se saiba o que é abono familiar? Sou da opinião que devemos ensinar os nossos filhos desde pequenos que as coisas custam dinheiro, que os brinquedos custam dinheiro e que existem outras prioridades, mas pelo amor de Deus isso não é preocupar uma criança é ensiná-la aos poucos para a vida, as poupanças, o estabelecer prioridades.
Quando uma criança nos responde que se preocupa porque os país está em crise e não sabe como ajudar os pais, fico com medo. A infância onde está? A inocência onde está?
Não, o FMI Não me mete medo. Tenho medo pelas nossas crianças, pelas suas infâncias e pelo seu futuro, pelas muitas Telmas que em vez de se preocuparem com bonecas, se preocupam em formas de ajudar o orçamento familiar. Isso não é competência delas e dá-me raiva, muita raiva que quem de direito olhe para o umbigo e não pense nas Telmas deste Portugal.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Não é do FMI que tenho medo

É das consequências dele, do que teremos de fazer por causa dele, daquilo que nos querem impor por causa dele, dele ser usado como bode expiatório para tudo e mais qualquer coisa. Tal como a crise.
Não vivo numa utopia, nem em marte, sei que a crise existe, mas também ela serve de desculpa para muita coisa.
Tenho medo de muitas consequências, como as da saúde. Quem tem seguro tem seguro e ok, tem médico. Quem não tem, não tem e pode ser que tenha sorte ou nem por isso.
Ainda hoje fui com a minha filhota às vacinas e agora funciona assim: 3m para vacinar as crianças e já está, se por algum acaso alguma criança for mais difícil, paciência, são 3m e nada de atenções, conversas, mimos é espetar a agulha e sair. A enfermeira estav piurças porque ela diz que trata pessoas e não coisas, que somos humanos e não números.
Médicos de família nem vê-los. Estão todos a ficar com baixa psiquiátrica porque não aguentam nem o nº de pacientes impostos, nem o tempo limite de consulta (15m), nem a pressão para não passarem muitos medicamentos (que têm de ser os mais baratos e com menos custos ao Estado), e nada de muitas análises, especialmente as mais caras.
Para onde vamos? Que futuro nos reserva esta reverência aos números?
Quanto é que vão entender que pessoas sãs de corpo e alma, trabalham melhor e produzem mais?
Quando é que vão olhar para nós como pessoas e não como números?
Tenho medo, por mim, pelos meus, mas principalmente pelos meus filhos.
O trabalho não me mete medo, venho de uma família onde as mangas estão sempre arregaçadas, mas e não havendo trabalho?
 

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